sábado, 21 de março de 2009

Destino


Escureceu, anoiteceu, e eu permanecia ali, imóvel. O medo de me movimentar e talvez sofrer pelos ferimentos abertos, expostos, era enorme e tendia a aumentar, e aumentar. O consciente já não era mais. Inconsciente. E este desesperava-se lentamente e perigosamente. O frio, atingível até embaixo das pesadas rochas, tremia minha estrutura muscular dental, que batia. Os ruídos soavam como uma orquestra de anjos infernais e as risadas ecoavam pelo ar. Maldosas, maléficas.

Minha mobilidade não sonhava em voltar. Medo. A cada piscada de milésimos pensada me entorpecia mais, me inutilizava mais. E eu já nem sofria, nem tentava, nem sorria. Ninguém fazia nada. Nenhum deles conseguia.

Finalmente entendi a situação em que me encontrava, o sentimento que dominava e possuía meus orgãos e minha alma.

Enterro, sepulcro. Não passava de um defunto, um mero pedaço de matéria orgânica pronto para ser digerido, saboreado. E me angustiava pensar o tanto de terra que havia sobre mim e a escuridão que me devorava, feroz. Mais tenebroso ainda era pensar que não havia outra saída, nenhuma possibilidade de sobrevivência.

A vida inteira passa em segundos. Integra. Desintegra. E nem uma lágrima desce, não tem tempo, não tem ar. E aos poucos eu paro, eu morro, imobilizo, finalizo. E chego onde todos um dia irão chegar. Destino.

2 comentários:

Max disse...

Obrigado amigo, vc me lembrou que eu vou morrer.... melhorou muito minha noite!!!

rsrssr
brincadeira migoo, muito legal!!! quem escreveu?

Lorem Krsna disse...

Gostei^^